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e4c07de2 4318 4b73 90ad bd278ff515ffIlustração feita pela mestranda Ayla Secio-Silva para o artigo que foi publicado na revista Frontiers for Young Minds (Citação: Secio-Silva A, Figueira-Costa T, Emrich F, Abrantes A, Peliciari-Garcia R and Bargi-Souza P (2022) Why Is There Iodine in Table Salt?. Front. Young Minds. 10:873610. doi: 10.3389/frym.2022.873610; <a href=As transformações da puberdade, os medos do puerpério e os infortúnios da menopausa. A composição hormonal do corpo feminino define muito mais que o funcionamento do coração, do metabolismo, da reprodução e do crescimento do corpo.

Os hormônios estão diretamente relacionados ao tempo de vida, à saúde e à qualidade de vida em diferentes fases, mas, nas mulheres, essas mudanças são ainda mais significativas, considerando as adaptações que o corpo passa em diferentes situações como gravidez, lactação e em virtude da redução dos hormônios femininos após a menopausa.

Com o objetivo de investigar esse campo, as pesquisadoras Paula Bargi de Souza e Grace Schenatto Pereira, ambas do Departamento de Fisiologia e Biofísica do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais (ICB/UFMG), desenvolvem diversas pesquisas apoiadas pela Fundação de Amparo à pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG). Os estudos chamam atenção, entre outros, para a necessidade de medidas e políticas públicas que favoreçam e considerem os ciclos circadianos (horários de trabalho e de descanso), tendo em vista os hábitos de vida da sociedade contemporânea.

MAESTRO

Antes de partir para os estudos, é importante dar um passo atrás e entender o funcionamento desse grande “maestro” que é o sistema endócrino. Maria Marta Sarquis Soares, endocrinologista do Hospital das Clínicas e também professora da UFMG, explica que o sistema endócrino é composto por várias glândulas ou tecidos que produzem e secretam substâncias que servem como sinalizadores. “Um hormônio que é produzido e secretado por uma glândula pode agir nas células ao lado ou à distância, atingindo todo o corpo. Um exemplo de glândula é a tireoide. Sob estímulo dos hormônios do hipotálamo, que é uma estrutura do cérebro, e da adenohipófise, uma glândula localizada na base do cérebro, a tireoide produz os hormônios tireoidianos que vão agir basicamente em todas as células do corpo, do fio do cabelo ao coração, modulando o metabolismo e a temperatura corporal, o desenvolvimento e atividade do cérebro, a reprodução e muitas outras funções. Então, sem hormônio tiroidiano, uma série de funções são prejudicadas”, detalha.

A tireoide tem a forma parecida com uma borboleta, e fica localizada na parte anterior do pescoço, abraçando a traqueia. Esse protagonismo da glândula tem fundamento, pois os hormônios secretados por ela na corrente sanguínea agem nos receptores do coração, nos músculos, no fígado e em diversas outras partes do corpo. Maria Marta explica que todos os hormônios do corpo são muito importantes, pois cada um exerce uma função, mas que essas funções ficam ainda mais evidentes de acordo com as fases da vida.

Em seus atendimentos em consultório, a endocrinologista lida com pacientes com demandas variadas, de acordo com as diferentes faixas etárias. Na infância, alterações hormonais podem fazer com que a criança nasça com genitália ambígua, quando o órgão reprodutor da criança não é formado de forma adequada dentro do útero da mãe. “Isso é considerado uma emergência endocrinológica, porque geralmente está relacionado com um problema nas suprarrenais – que podem ser chamadas também de glândulas adrenais. São nessas glândulas que acontece a produção do cortisol, e quando você tem uma enzima que falta nessa cadeia de formação do cortisol, pode haver o acúmulo de hormônios masculinos que podem interferir na formação do órgão sexual. Então precisamos investigar o mais rápido possível, para dar uma resposta para aquela família”, explica.

Ainda na infância, a criança pode ter problemas com o hormônio do crescimento, o GH, da sigla em inglês growth hormone. Problemas nesse hormônio podem levar à falta de crescimento, nanismo ou a um desenvolvimento insatisfatório nessa fase. Hoje ele pode ser substituído de forma sintética graças à biotecnologia. Da mesma forma quando as crianças nascem com diabetes mellitus. Nesse caso, o diabetes mellitus tipo 1 é mais comum na infância, quando o organismo da criança não produz a insulina. Mas Maria Marta diz que casos do tipo 2 em crianças estão cada vez mais comuns, principalmente em função das condições de vida atuais, com alimentação baseada em alimentos ultraprocessados, obesidade infantil, falta de atividades físicas e altos índices de estresse.

CICLO CIRCADIANO

Voltando às pesquisas, os ciclos da vida estão diretamente relacionados à ação dos hormônios no organismo, mas foi outro ciclo, o circadiano, que motivou o desenvolvimento da pesquisa Estudo da correlação entre a função tireoidiana e o relógio biológico: repercussões do hipotireoidismo na ritimicidade do metabolismo energético, de Paula Bargi de Souza. O ciclo circadiano pode ser entendido como o ciclo natural do próprio corpo, no decorrer das 24 horas, considerando estímulos e informações recebidos durante o dia e a noite. A luminosidade ao longo do dia é responsável por sincronizar as principais atividades e processos biológicos do corpo. Essa atividade é coordenada por um grupo de neurônios também no hipotálamo. “Ao longo da evolução, os seres vivos desenvolveram sob a influência do sistema rotacional da Terra, de modo que algumas atividades são favorecidas em determinados horários do dia. Então, no momento de repouso, por exemplo, você não vai ter um pico hormonal de adrenalina, em condições normais. À noite, acontece a redução da adrenalina e um aumento da melatonina, o hormônio sinalizador do fotoperíodo, de modo a favorecer o estado de repouso. Em relação aos hormônios que regulam o metabolismo pós-prandial (após as refeições), você tem os picos de insulina, que são dependentes da alimentação. Foi para investigar qual é a correlação do ciclo circadiano com os hormônios da tireoide, que propus esta pesquisa”, explica Paula.

Não por acaso a pesquisadora buscou trabalhar com o eixo tiroidiano. A tireoide está relaciona à segunda maior prevalência de doenças do sistema endócrino. Os casos mais comuns são de diabetes mellitus e, em seguida, estão as desordens tireoidianas, que são predominantes em mulheres. De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), o hipotireoidismo, que é a produção insuficiente dos hormônios da tireoide, ocorre em cerca de 2% a 15% da população, mais predominantemente no sexo feminino atingindo cerca de 15 % das mulheres na pós-menopausa.

O último Estudo Longitudinal Brasileiro de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil/2021), que buscou avaliar a incidência de hipertireoidismo e hipotireoidismo e manifesto por meio de um levantamento em seis capitais brasileiras, apontou que o hipotireoidismo está chegando numa margem de 8% da população brasileira. Esse percentual está relacionado aos casos clínicos, ou seja, que foram diagnosticados, mas os especialistas acreditam que, com os casos não notificados, esse percentual pode chegar a 20%.

RITMO CARDÍACO

Paula Bargi de Souza explica que, em relação ao ritmo circadiano, o ser humano evoluiu para responder a essa mudança de claro e escuro do planeta. “Imagina a situação nos últimos 100 anos. Com a invenção da lâmpada e luz elétrica, a gente fica até mais tarde estudando, vendo Netflix, no celular, e a gente vai forçando e desregulando o nosso sistema. Há um termo que usamos na cronobiologia – ramo da ciência que estuda a organização temporal dos seres vivos – que é a dessincronização. Aquele costume de nossos avós e bisavós de irem dormir cedo e acordar com as galinhas não existe mais. Já estamos muito longe daquilo. Então, hoje, o que eu estudo é como esse impacto da vida contemporânea prejudica um balanço normal do eixo tiroidiano e reflete no metabolismo”, detalha.

De acordo com a pesquisadora, alguns estudos já associam a desordem tireoidiana com diabetes mellitus, por exemplo. Por isso pode-se inferir que as situações impostas no mundo contemporâneo prejudicam o organismo, levando a distúrbios endócrinos e metabólicos. Como a pesquisa ainda está em andamento, a hipótese central do trabalho é que os hormônios tireoidianos (HTs) modulam a expressão dos componentes do relógio biológico, presente em todas as células do corpo, e dos genes e proteínas controlados por ele nos tecidos envolvidos na regulação do metabolismo energético, o que poderia explicar a associação entre hipotiroidismo, diabetes mellitus e síndrome metabólica observada em estudos epidemiológicos. Para isso, a pesquisadora faz o uso de camundongos selvagens e geneticamente modificados para investigar o padrão da oscilação diária na atividade locomotora, na temperatura corporal e no consumo de oxigênio, entre outros parâmetros, em condições de hipotireoidismo tanto em machos quanto em fêmeas.

Se a realidade está posta, os dados produzidos nas pesquisas podem alertar para a necessidade de procurar medidas que auxiliem a prevenir ou lidar com distúrbios endócrinos. Para a pesquisadora, essas medidas passam por duas questões centrais: observar o tempo de trabalhar e o de descansar e incentivar a formulação de políticas públicas que favoreçam e considerem os ciclos circadianos e os novos hábitos de vida da sociedade. “Existem alguns estudos mostrando como tomar medidas para tentar dessincronizar o menos possível o corpo ou como reverter esses quadros. Também é preciso pensar que na sociedade contemporânea, as crianças estão entrando nas escolas às 7h da manhã, que não é o horário mais adequado para estudo e aprendizado nessa fase da vida, sem contar que acordam muito cedo dependendo do tipo de transporte até a escola. Imagine esse indivíduo sendo submetido a uma prova ou avaliação nessa hora, o hormônio do cortisol dela vai nas alturas. Assim, estudar as alterações no balanço hormonal decorrentes do padrão de vida atual é muito importante, porque está tudo muito correlacionado", exemplifica.

A endocrinologista Maria Marta lembra que o contexto em que estamos inseridos e os hábitos de vida interferem tanto no funcionamento hormonal que, recentemente, pesquisadores do Departamento de Pediatria da Universidade de Chieti, na Itália, desenvolveram o estudo Early and precocious puberty during the COVID-19 pandemic, Puberdade precoce durante a pandemia de COVID-19, em tradução livre. “Como a pandemia gerou um grande impacto no cotidiano de crianças e adolescentes, com o isolamento que levou a um estilo de vida mais sedentário, maior tempo de exposição às telas, estresse, entre outros fatores, esses pesquisadores investigaram uma taxa de progressão puberal mais rápida, que pode ter levado as meninas a menstruarem mais cedo durante esse período”, conta.

DESCONFORTO NA MATURIDADE

Além das transformações da adolescência, a mulher que amadurece poderá passar também por dois outros períodos igualmente emblemáticos: o puerpério, para aquelas que optam por ter filhos, e pela menopausa. A endocrinologista Maria Marta, que também atua na área de osteometabolismo, destaca a perda de cálcio por qual passam as mulheres durante a gestação e o período em que estão amamentando. A médica explica que essa função é coordenada pelo paratormônio (PTH), hormônio que pouca gente conhece, mas que é produzido pelas glândulas paratireoides, localizadas junto à glândula tireoide. O PTH é um dos principais hormônios que controlam os níveis do cálcio e do fósforo no organismo. “Nessas duas fases, a mulher tem perda de massa óssea e muitas sofrem fraturas nesses períodos. Durante a gravidez, ela perde cálcio para que a formação do esqueleto da criança seja possível, mas nessa fase o organismo também tem formas de compensação dessa perda. Já na amamentação, essa proteção não existe, então se perde mais massa óssea. E tudo isso está relacionado à redução dos hormônios femininos (hipogonadismo), do aumento da prolactina e ocitocina, que além da perda óssea também causa redução da libido”, acrescenta Maria Marta.

Entretanto, essa perda de massa óssea e de libido na gravidez e amamentação pode ser considerada apenas um ensaio para o que ainda está por vir: a menopausa. Essa fase é conhecida como a última menstruação da mulher. Ela acontece porque as mulheres nascem com dois óvulos, com diversos folículos dentro deles, de número limitado, que se transformarão nos futuros óvulos. Quando esse número termina ou está no final, o organismo entra na menopausa, fato que ocorre em torno dos 50 anos, mas pode variar de acordo com a história e genética de cada mulher. Esses folículos ovarianos produzem dois hormônios, o estrogênio e a progesterona. Por volta dos 40, 50 anos da mulher, a progesterona deixa de ser fabricada e o primeiro sintoma é a irregularidade menstrual (os ciclos ficam inicialmente mais curtos e depois ocorrem atrasos menstruais), além de irritabilidade, nervosismo e insônia. Essa fase anterior à menopausa é chamada de climatério ou pré-menopausa.

Para investigar esses e outros sintomas na menopausa, a pesquisadora Grace Schenatto Pereira desenvolve o estudo Sistemas Cerebrais e Déficits de Memória na Transição para Menopausa. No estudo, ela simulou a menopausa em ratas, por meio da retirada dos ovários, e observou o comportamento desses animais em relação à falta dos hormônios femininos e a perda de memória.

O estudo em si já é inovador, mas o processo com o qual Grace se deparou até chegar nesse estudo foi fundamental para que ela tivesse a dimensão do tamanho da ausência desse tipo de pesquisa, sobretudo quando o assunto é menopausa. “Quando eu ingressei como professora na UFMG, eu estudava o efeito da acetilcolina, que é um neurotransmissor, no funcionamento do cérebro, especialmente na memória. Então busquei a diferença que existia na modulação da memória por esse neurotransmissor em modelos animais fêmeas e machos. Vi que tinha uma literatura relativamente pequena no que dizia respeito a estudos em fêmeas. Essa escassez de resultados me levou a desenvolver o estudo em fêmeas, afinal, nem tudo que funciona em macho funciona em fêmeas. Atualmente, as revistas científicas têm pedido cada vez mais que os ensaios comportamentais ou outras medidas sejam testados em machos e fêmeas”, conta.

A pesquisadora acredita que essa carência de estudos também está relacionada a uma questão sociocultural, em uma sociedade que supervaloriza a fase reprodutiva da mulher. “Fala-se muito da menina que está florescendo, da primeira menstruação, do primeiro absorvente, da gravidez, da amamentação. Tudo isso é discutido ainda com muito romantismo. Mas da menopausa ninguém fala. É como se nessa fase a mulher não existisse e, como estamos vivendo mais, inevitavelmente vamos chegar nela, é preciso falar e pesquisar sobre isso”, defende Grace.

Os estudos permitiram que a pesquisadora conseguisse reproduzir os efeitos sentidos na menopausa, como ansiedade, depressão e perda de memória nos modelos animais. “Percebemos déficit de memória, aumento de ansiedade e depressão. E, a partir da reposição hormonal, é possível recuperar esses efeitos. Agora estamos numa fase da pesquisa que a gente precisa entender um fenômeno interessante que é se o fato de essa ansiedade e memória estarem relacionadas ao medo. Então, ao mesmo tempo, as fêmeas têm mais medo numa situação, mas menos medo em outra. E isso, ao que tudo indica, é um efeito relacionado a esses hormônios. De uma área do cérebro que chama amígdala, que tem uma importância no processamento de emoções", explica.

A endocrinologista Maria Marta explica que, no consultório, os sintomas da menopausa são motivos de muitas queixas e preocupações. Osteoporose, relacionada à dificuldade de metabolismo do cálcio; hipotireodismo, caracterizado pela queda na produção dos hormônios T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina); ganho de peso, fadiga, fraqueza, muscular, perda de memória e depressão são alguns dos mais frequentes. Dessa forma, os estudos desenvolvidos recentemente pelas professoras Paula e Grace, em colaboração, e com apoio da FAPEMIG, demonstrou que o hipotireoidismo afeta a memória principalmente em camundongos do sexo feminino, e que esse efeito também depende do horário do dia que a memória é evocada. Esse estudo chamou a atenção da comunidade científica e foi contemplado pela Sociedade Brasileira de Fisiologia, a SBFis, com o Prêmio Branca de Almeida Fialho de 2023.O prêmio é um reconhecimento à primeira mulher-fisiologista do Brasil de que se tem registro e objetiva valorizar pesquisas em fisiologia que considerem as mulheres/fêmeas como sujeitas de pesquisa.

A médica explica que, muitas vezes, a pessoa acha que tem problemas hormonais tireoidianos porque está ganhando peso, perdendo cabelo, a unha está ressecada ou porque está com muita sonolência, mas tudo isso pode ser pela própria menopausa ou até mesmo estresse. Então é preciso fazer um diagnóstico diferencial para distinguir um simples cansaço a problemas da tireoide”, exemplifica.

A endocrinologista Maria Marata explica, ainda, que, para aquelas mulheres em que o risco da reposição hormonal é maior que os benefícios e mesmo para as mulheres que fazem reposição, o fundamental é apostar em hábitos de vida saudáveis, que já apresentam comprovação científica de que geram benefícios. “Atividade física regular e adequada a cada pessoa, alimentação saudável com menos alimentos ultraprocessados, uma rotina menos estressante e equilíbrio nas diversas áreas da vida são medidas simples que todas nós podemos fazer mesmo antes da menopausa. É preciso cuidar bem do corpo desde a infância, porque é o nosso banco, é a nossa reserva para a vida”, recomenda a médica. “Além de todos esses cuidados, precisamos ficar atentos à duração e à qualidade do nosso sono, respeitando nosso ritmo biológico para uma vida mais saudável e duradoura”, complementa a pesquisadora Paula Bargi.

 

Redação: Vivian Teixeira | Comunicação Fapemig

 

 

 

WhatsApp Image 2023 09 25 at 11.09.00Crédito: Marcus Vinicius dos Santos. CLIQUE PARA AMPLIARProfessores e estudantes debatem novas perspectivas para avanço do conhecimento na área

O Programa de Pós-graduação em Patologia do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG completa 50 anos em 2023. Para celebrar a trajetória, marcada pela excelência acadêmica, a coordenação reuniu professores, estudantes e convidados para revisitar as memórias das cinco décadas de atuação e debater novas perspectivas para o avanço do conhecimento na área. A pauta do evento, no Centro de Atividades Didáticas 1 da UFMG, Campus Pampulha, no dia 22 de setembro, incluiu palestras com os professores Geraldo Brasileiro Filho e Geovanni Dantas Cassali, ambos antigos coordenadores do PPG em Patologia, traçando um panorama histórico do programa.

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 Em sua apresentação, Geraldo Brasileiro, do Departamento de Anatomia Patológica e Medicina Legal da Faculdade de Medicina, destacou a contribuição dos programas de pós-graduação para o desenvolvimento científico do Brasil, atestada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Já o professor Geovanni Cassali, ressaltou a contribuição dos médicos Luigi Bogliolo e Washington Tafuri, ambos eméritos da UFMG e considerados precursores do PPG em Patologia.

WhatsApp Image 2023 09 25 at 10.29.10 3WhatsApp Image 2023 09 25 at 10.29.10 2A comemoração incluiu um debate sobre as novas perspectivas do PPG em Patologia, moderado pelo atual coordenador do programa, professor Enio Ferreira. Ele destacou a necessidade de valorizar os alunos e sua produção. “A gente percebe, cada vez que preenche o relatório Sucupira, que o professor é uma fagulha. Quem sustenta (o PPG) são os alunos”, afirmou. Para ele, o mais importante que a pós-graduação está deixando para o futuro são os estudantes.

WhatsApp Image 2023 09 25 at 10.29.09 4Oriundo do PPG em Patologia, o diretor do ICB UFMG, professor Ricardo Gonçalves, parabenizou o programa por sua trajetória de excelência, embora desafiadora. Ele destacou o seu papel na formação de docentes e pesquisadores, médicos e não médicos. “Em sua essência, o programa se destaca por oferecer uma qualificação abrangente, baseada na interdisciplinaridade e transdisciplinaridade”, afirmou.

SOBRE PPG EM PATOLOGIA

O Programa de Pós-Graduação em Patologia do ICB UFMG busca formar professores e cientistas, geralmente, profissionais graduados em Medicina e outros cursos das áreas de saúde, agrárias (veterinária) e biológicas, para o desenvolvimento do conhecimento na única área de concentração em patologia investigativa. O egresso do curso tem domínio dos conhecimentos de patologia geral e treinamento para delineamento e condução de projetos científicos, com possibilidade de atuação na área de patologia, no ensino, na pesquisa, no desenvolvimento tecnocientífico e na produção científica e tecnológica. Criado em 1973, o Programa tem reformulado suas linhas de pesquisa nos últimos anos, para melhor acomodar as novas propostas investigativas em campos como patologia oncológica, imunopatologia das doenças infecciosas, patologia mamária humana, animal e experimental, modelos experimentais de doenças, patologia clínica e ensino na área das ciências da saúde e sua integração com a pesquisa em educação médica e patologia.

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Imagens: Henrique Castanheira

andre1Massensini, à direita, e seus colaboradores - busca por abordagens terapêuticas inovadoras e práticas que possam aliar os conhecimentos das neurociências aos da nanotecnologia para ajudar a superar os danos causados no sistema nervoso - Crédito das fotos: Acervo Pessoal Neuronano é voltado para ampliar inserção internacional de pesquisas brasileiras nas duas áreas

Logo.NeuroNanoUm novo grupo de pesquisa do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG acaba de ser registrado no Diretório do CNPq: NeuroNano - Neurociências e Nanotecnologia.

andre2O grupo já tem resultados que mostram o potencial de uso de lipossomas carreando angiotensina-(1-7) e também resultados com nanopartículas de ouro para o tratamento de derrame cerebral, por exemploSegundo Andre Massensini (na foto, de camisa verde, à direita), professor do departamento de Fisiologia e Biofísica, coordenador do NeuroNano, o objetivo principal é promover a colaboração entre esses dois campos científicos - neurociências e nanotecnologia.

A finalidade é contribuir para impactar positivamente a compreensão e o tratamento de distúrbios do Sistema Nervoso, melhorar a qualidade de vida das pessoas afetadas e desenvolver abordagens terapêuticas inovadoras e aplicações práticas das descobertas científicas nos setores de saúde e da indústria farmacêutica.

No âmbito das neurociências, o grupo se concentrará na investigação dos mecanismos celulares e moleculares associados a disfunções no Sistema Nervoso, bem como nas implicações dessas disfunções nos órgãos e sistemas do corpo humano. As neurociências são um conjunto de disciplinas que estudam o sistema nervoso e suas funcionalidades, responsáveis pelas atividades voluntárias ou involuntárias, assim como pelo comportamento e também pelas emoções humanas.

No que diz respeito à nanotecnologia, o foco está na melhoria das características de nanopartículas existentes, que são utilizadas no desenvolvimento de novas moléculas como nanocarreadores - moléculas muito pequenas, com dimensão entre 10 e 100 nanômetros (nm), desenvolvidas para apresentar propriedades físico-químicas que possam ser exploradas no tratamento de doenças fazendo o transporte de algum agente para dentro da célula. Para se ter ideia do tamanho reduzido dessas moléculas, 1 milímetro é igual a 1 milhão de nanômetros.

NEURONANO

A formalização deste grupo de pesquisa, a partir do registro no CNPq, irá facilitar o acesso a financiamentos, que por sua vez permitirá a busca por soluções que elevem a presença internacional da pesquisa brasileira nos melhores fóruns científicos estrangeiros na busca por novas abordagens de tratamento de doenças do Sistema Nervoso, como as neurodegenerativas e neurovasculares. Como possibilidades promissoras desse campo, o professor cita o desenvolvimento de nanocompostos que possam transportar agentes neuroprotetores que superem desafios críticos relacionados à biocompatibilidade, biodegradabilidade, distribuição e localização no tecido alvo, cruciais para identificar novos tratamentos.

“A pesquisa será conduzida de forma colaborativa, envolvendo parcerias com centros e grupos de pesquisa de excelência, tanto no Brasil quanto no exterior”, diz, destacando o papel fundamental na formação de novos pesquisadores, tanto em nível de graduação quanto de pós-graduação. “Investir nesses estudos e fomentar a criação de mais grupos de pesquisa brasileiros nesse campo é uma necessidade estratégica para o Brasil”, afirma o cientista e ex-pró-reitor adjunto de pesquisa da UFMG, Andre Massensini.

 

Redação: Vitória Alves e Gabriel Martins, estudantes de jornalismo da UFMG, sob supervisão do jornalista Marcus Vinicius dos Santos

novaslevedurasMushroom species which the yeast isolates were obtained. (a) Rigidopurus biokoensis; (b) Tricholomopsis aurea; (c) Marasmiellus volvatus; (d) Hydropus sp. 1; (e) Favolus tenuiculus; (f) Pseudofavolus cucullatus; (g) Hydropus sp. 3.Obtidos de cogumelos e insetos da Floresta Amazônica brasileira, potencial biotecnológico dos microrganismos será estudado pelo INCT Leveduras


Quatro novas espécies de leveduras acabam de ser descobertas por pesquisadores do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG, em colaboração com colegas do Museu Paraense Emílio Goeldi e da University of Western Ontario, Canadá. Os novos organismos receberam os nomes de pesquisadores brasileiros e serão estudados pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Leveduras (INCT Leveduras).

De acordo com o líder do estudo, professor Carlos Augusto Rosa, do Departamento de Microbiologia do ICB UFMG, foram obtidos dez isolados de levedura, representando as novas espécies do gênero Teunomyces, a partir da estrutura reprodutora de cogumelos (Marasmiellus volvatus, Tricholomopsis aurea, Hydropus sp. e Favolus tenuiculus) e de drosófilas, insetos conhecidos como “moscas da banana”.

Em artigo publicado no International Journal of Systematic and Evolutionary Microbiology, a partir de análises genéticas, os autores mostram que as novas espécies diferem em cerca de 3% de seus parentes mais próximos. Essas leveduras receberam os nomes dos pesquisadores Andreas Karoly Gombert, da Escola de Engenharia de Alimentos da Unicamp; Melissa Fontes Landell, da Universidade Federal de Alagoas; Leda Cristina Santana Mendonça-Hagler, Universidade Federal do Rio de Janeiro; e Paula Benevides de Morais, da Universidade Federal do Tocantins. Segundo o professor Carlos Rosa, “trata-se de uma homenagem pelas reconhecidas contribuições de seus trabalhos de pesquisa com leveduras”.

Até o momento, não se sabe se as novas espécies do gênero Teunomyces, associadas a cogumelos de florestas tropicais, têm algum potencial para aplicação biotecnológica. Estudos nesse sentido serão conduzidos pela rede de pesquisadores do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Leveduras (INCT Leveduras), coordenada pelo professor Carlos Rosa, que também é curador do acervo de leveduras e bactérias da Coleção de Microrganismos e Células da UFMG.

O artigo completo está disponível no link https://doi.org/10.1099/ijsem.0.006035

Imagem do artigo

Redação: Dayse Lacerda - jornalista na ACBio

                                                                         

aranha.armadeira. Rodrigo.ArgentonAranha armadeira: pesquisa envolvendo o aracnídeo resultou no potencial fármaco Foto: Rodrigo Tetsuo Argenton (CC BY-SA 4.0)

Estudo com toxina da “Phoneutria nigriventer”, uma das mais venenosas do Brasil, resulta em peptídeo que pode favorecer a ereção

A Phoneutria nigriventer, uma aranha encontrada em países da América do Sul e conhecida popularmente como aranha da bananeira ou armadeira, é uma das espécies mais tóxicas conhecidas em todo o mundo. Seu veneno é capaz de causar, especialmente em homens jovens, uma ereção involuntária e dolorosa, conhecida como priapismo. Essa toxina da aranha, oriunda da biodiversidade brasileira, identificada por pesquisadores da Fundação Ezequiel Dias (Funed), embora perigosa, pode resultar em um novo medicamento.

Ao buscar compreender, do ponto de vista farmacológico, os mecanismos que geram o priapismo ocasionado pelo veneno da aranha armadeira, pesquisadores da UFMG, liderados pela professora Maria Elena de Lima, aposentada do Departamento de Bioquímica e Imunologia do ICB, em estudo iniciado há quase 20 anos utilizando a toxina, desenvolveram em laboratório uma molécula sintética com propriedades promissoras para o desenvolvimento de fármaco inovador e seguro para tratar a impotência sexual. Até o momento, o peptídeo, batizado de BZ371A, já gerou 22 patentes internacionais e nove aplicadas.

“É uma pesquisa inspirada pela nossa biodiversidade, que começa com o estudo do veneno de uma aranha e está próxima de gerar um possível medicamento. Isso ajuda a demonstrar por que a nossa fauna deve ser preservada: ela é uma fonte inesgotável de moléculas bioativas, e não conhecemos nem 1% desse potencial. Nosso trabalho, que é de ciência básica, busca identificar atividades biológicas de interesse nos venenos e detectar potenciais modelos de fármacos para uma gama de doenças”, afirma Maria Elena de Lima.

O candidato a fármaco para impotência sexual, aprovado recentemente na fase 1 de testes, tem o potencial de atender a homens com disfunção erétil que, por diferentes motivos, não podem fazer uso dos medicamentos hoje disponíveis no mercado. Autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a primeira etapa de testes clínicos já provou que o composto não tem toxicidade para humanos. Em teste piloto, realizado em homens e mulheres, os pesquisadores observaram que a aplicação tópica do BZ371A resulta na vasodilatação e no aumento do fluxo sanguíneo local, independentemente de qualquer outro estímulo, facilitando a ereção peniana. Esses resultados indicam que o BZ371A é forte candidato a fármaco eficaz para o tratamento da disfunção sexual.

Atualmente, os remédios orais disponíveis para tratar a condição – entre os quais, os conhecidos Viagra e Cialis – pertencem a uma classe de medicamentos que funciona para 70% dos pacientes. Os outros 30%, como homens hipertensos ou com diabetes grave, têm alguma contraindicação para o uso desses remédios, por conta de seus riscos e efeitos colaterais – como hipotensão, desmaio e dor de cabeça – provenientes de exposição sistêmica. Agora, a Biozeus Biopharmaceutical, empresa que adquiriu a patente do potencial fármaco, prepara-se para dar início aos ensaios clínicos da fase 2, em que o BZ371A será testado em homens prostatectomizados que apresentam disfunção erétil.

Diretor executivo da Biozeus, empresa que assumiu a patente e o desenvolvimento do fármaco, Paulo Lacativa cita a UFMG entre as três universidades brasileiras com mais projetos com qualidade na área de produção de medicamentos. “Como empresa que abraçou esse projeto, temos alguns pontos a destacar. O primeiro deles é que esta talvez se torne a primeira vez em que uma descoberta da universidade brasileira resulte numa medicação que seja desenvolvida para todo o mundo. E acreditamos que esse caso bem-sucedido, conduzido por brasileiros no Brasil, com repercussão mundial, talvez seja capaz de mudar todo o ecossistema de inovação de novos fármacos no país”, projeta Lacativa.

Entenda o processo de desenvolvimento do estudo, suas vantagens e perspectivas em matéria produzida por Hugo Rafael para o Portal UFMG

Redação: Hugo Rafael, Agência de Notícias da UFMG

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