Homenagem destaca antigos alunos que fazem sucesso no mercado de trabalho e busca mostrar algumas das várias áreas de atuação desses profissionais
Em comemoração ao mês do Biólogo, a partir de 1º de setembro, o Instituto de Ciências Biológicas da UFMG apresenta, em formato de vídeo, o depoimento de profissionais egressos que se formaram aqui, valorizam a formação que receberam e que construíram carreiras de sucesso no mercado de trabalho, alguns deles em áreas ainda pouco exploradas da Biologia.
Além de prestar uma homenagem àqueles que trabalham em busca de melhores condições de vida para todos os seres do planeta, “queremos aproveitar a data para encorajar as novas gerações de estudantes a ampliar seus horizontes, a conhecer e a explorar as diversas possibilidades que a Biologia oferece”, afirmou o jornalista Marcus Vinicius dos Santos, coordenador da Assessoria de Comunicação e Divulgação Científica do ICB UFMG. De acordo com informações do coordenador do curso de Ciências Biológicas, professor Carlos Renato Machado, são mais de 80 áreas de atuação possíveis para o estudante que conclui a graduação em Ciências Biológicas.
"Nós ouvimos vários biólogos com o objetivo de mostrar as múltiplas possibilidades de atuação desses profissionais, a importância da formação que receberam e o êxito dos estudantes que passaram pelo curso de Ciências Biológicas na UFMG”, afirma Henrique Castanheira, videomaker idealizador do projeto, que captou e editou as imagens. Nos vídeos, eles falam sobre suas trajetórias fora da academia e das salas de aula. São profissionais que ousaram construir suas carreiras na indústria, por exemplo. Entre outros detalhes, eles revelam como descobriram seus nichos mercado, os desafios do caminho percorrido e a contribuição do percurso formativo oferecido pelo ICB para sua realização pessoal e profissional, além de retorno financeiro e social.
Os depoimentos são apresentados em vídeos com cerca de dois minutos de duração, cada, e serão publicados semanalmente, às sextas-feiras, nos perfis institucionais do ICB: Instagram, LinkedIn, Facebook e Youtube.
A criação da identidade visual e o design das peças de divulgação são de Ana Clara Veloso, bolsista FUMP.
A UFMG realiza - entre 23 e 27 de outubro de 2023 - a Semana de Iniciação Científica. O evento é dirigido à divulgação dos trabalhos desenvolvidos por alunos de graduação e do ensino médio na UFMG, bolsistas ou voluntários de iniciação científica, os quais também são avaliados por cientistas, da UFMG e externos à instituição.
A 22ª Semana de Iniciação Científica e o 13º Seminário de Iniciação Científica Júnior, ambos organizados pela Diretoria de Fomento à Pesquisa da Pró-reitoria de Pesquisa (PRPq) da UFMG, integram a Semana do Conhecimento 2023, cujo tema é “Desenvolvimento sustentável e democracia na era da inteligência artificial”.
A apresentação é obrigatória para ICs e orientadores dos projetos agraciados com bolsas dos editais descritos ao final desta notícia, mas estudantes de graduação da UFMG que não estejam vinculados a estes editais também podem fazer sua inscrição. Estudantes de outras universidades só podem se inscrever se forem participantes de algum dos editais citados.
- Edital 04/2022 – PIBIC/CNPQ, PROBIC/FAPEMIG, PIBIC-AF
- Edital 05/2022 – PIBITI/CNPQ
- Edital 07/2022 – PIBIC EM/CNPQ
- Edital 08/2022 – BIC ensino médio/ FAPEMIG
- Programa de Iniciação Científica Voluntária de graduação e ensino médio – alunos que iniciaram a ICV no período de 01/04/2022 a 31/03/2023.
Chamada Interna 11/2023 - PrPQ UFMG
Evento do Laboratório de Microbiota e Imunomodulação foi possível com financiamento internacional
Embora clássica, e há até pouco tempo mais restrita à microbiologia, muitos profissionais das áreas das ciências da vida não conhecem a técnica de cultura de bactérias da microbiota, nem como explorá-la para fazer avançar suas pesquisas e conhecimento científico.
Pensando nisso, a professora Angélica Thomáz, do Departamento de Bioquímica e Imunologia, buscou um financiamento internacional e trouxe para o Laboratório de Microbiota e Imunomodulação do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG um curso prático que ensina a manipular em laboratório esses microrganismos presentes no intestino humano e animal.
“Nosso objetivo é mostrar a funcionalidade das bactérias que vivem no intestino, a microbiota, e sua importância para toda a fisiologia do indivíduo”, informou a bióloga, doutora em imunologia. Ela explica que é possível cultivar em laboratório as bactérias coletadas das fezes frescas de animais experimentais ou seres humanos para fazê-las crescer, manipular e conhecer seu papel regulador do sistema imunológico e sua conexão com os vários eixos do organismo.
Contando com o apoio de dez estudantes da disciplina Café com Microbiota na organização, o curso abrangeu desde alunos da graduação até professores, de vários estados do Brasil, dentro da programação do Simpósio Immunological Advances In Mucosal-Microbiota Crosstalk, da Sociedade Internacional de Imunologia da Mucosa. O evento aconteceu em Belo Horizonte na última semana, com a participação da professora Ana Caetano, diretora do Departamento de Ciências e Tecnologia do Ministério da Saúde e presidente da Sociedade Brasileira de Imunologia.
Para Angélica Thomáz, a expansão do conhecimento sobre a importância da microbiota em vários campos faz com que cientistas que trabalham com áreas diferentes como a neurociência, por exemplo, e que, geralmente, não tem conhecimento microbiológico específico estejam aprendendo a técnica para incorporar o conhecimento aos seus estudos e fazer avançar suas pesquisas.
“Nosso intestino está conectado através da microbiota com cérebro, com o coração, com a medula óssea, com pulmão e outros. É importante conhecer exatamente os mecanismos que diferenciam essas bactérias, utilizar meios seletivos diferentes, nutrientes diferentes para aumentar a capacidade de seleção, para acessá-las e conhece-las”, afirma.
A microbiota, popularmente conhecida como flora intestinal, é o conjunto de bactérias, vírus, fungos e outros microrganismos unicelulares presentes no organismo humano e animal. O intestino é considerado uma das partes do corpo em que há a maior concentração desses organismos, desempenhando funções vitais que interferem na saúde geral do indivíduo.
Redação: Dayse Lacerda
Imagens: Henrique Castanheira
Projeto busca ampliar o acesso de autoridades e população sul-africanas a dados epidemiológicos do país sobre diferentes doenças
O trabalho de Joicymara Santos Xavier, do programa de Pós-graduação em Bioinformática do ICB UFMG (PPGBio), recebeu o prêmio Capes de Teses 2023, na Área Ciências Biológicas I. A lista de vencedores foi publicada no dia 14 de agosto. Juntamente com outros 48 estudos, em diferentes categorias, o trabalho foi selecionado dentre 1.469 teses. Esse prêmio leva em conta os seguintes critérios: originalidade do trabalho, relevância para o desenvolvimento científico, tecnológico, cultural, social e de inovação. Segundo a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, Capes, as melhores teses de doutorado do Brasil são premiadas com um valor de até R$3 mil reais, destinados aos seus orientadores.“Quando eu vi que meu nome estava lá eu quase caí da cadeira”, comemorou a autora.
A tese se refere ao desenvolvimento de uma metodologia que torna mais eficiente o acesso a dados e informações sobre doenças comuns à população da África do Sul, local onde a pesquisadora desenvolveu parte de seu doutorado. Segundo Joicymara, as metodologias utilizadas anteriormente não se preocupavam com a disponibilidade dos dados que os tornassem reprodutíveis e atualizados ao longo do tempo. Isso a motivou a criar duas ferramentas, a ThermoMutDB e a SARS-CoV-2 Africa Dashboard, que modificaram a forma de armazenamento, atualização e vigilância de dados biológicos.
ThermoMutDB é uma base de dados pública, administrada manualmente sobre dados termodinâmicos de proteínas. Joicymara esclarece que a base de dados usada anteriormente não estava atualizada há sete anos. Outra ferramenta, a SARS-CoV-2 Africa Dashboard, é interativa e permite a visualização e análise dos dados genômicos de covid-19 do continente africano tanto por cientistas quanto pela população, afirma Joicymara, também integrante do Centro de Resposta para Epidemia e Inovação (CERI), que identificou as variantes beta e ômicron do vírus durante a pandemia.
A autora chama a atenção para que os dados não sejam apresentados apenas para a comunidade científica, mas também para as comunidades alheias a ela: “A gente pega a sequência de covid, trata os dados, gera os metadados e transforma tudo em visualizações onde as pessoas podem interagir facilmente e fazer as análises necessárias”. Ela destacou a importância do trabalho de divulgação científica para a sociedade como um todo, dizendo que “a gente precisa, enquanto cientistas, informar o público leigo que muitas vezes são tomadores de decisão”.
Além disso, essas ferramentas já tem uma prospecção de serem utilizadas com outras doenças pelo continente africano, para expandir essa tecnologia em outras áreas. Outras instituições, como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Universidade da Flórida (UFL), já demonstraram interesse nas novas metodologias.
Para o professor Aristóteles Góes, coordenador do PPGBio, destaca a relevância que ele tem para o ICB e para a Universidade: “Isso é uma comprovação do grau de excelência acadêmica desse programa”, que é o único programa de pós-graduação em Bioinformática que possui conceito Capes 7, em todo o Brasil”. O Conceito Capes é resultado de uma avaliação dos programas de mestrado e doutorado, em que 7 é a nota máxima e demonstra padrão de qualidade e desempenho altíssimo, de nível internacional.
O coordenador também demonstrou muita felicidade com o resultado da premiação, “O simples fato de a gente ter recebido esse prêmio já foi um estímulo, uma alegria e uma motivação muito grande para todos os mestrandos e doutorandos”. Além disso, ele destaca também a boa visibilidade que isso trará para o ambiente acadêmico: “mais prestígio ao programa, a este Instituto de Ciências Biológicas e à Universidade, como um todo.”
LEIA O ARTIGO:
Nome do artigo: ThermoMutDB e SARS-CoV-2 Africa Dashboard: abordagens de ciência de dados para integração, análise e vigilância de dados biológicos
Autora: Joicymara Santos Xavier
Data de publicação: 27 de outubro de 2022
Mais informações para imprensa:
Joicymara Santos Xavier - Doutora em Bioinformática -
Aristóteles Góes Neto - Coordenador do Programa de Bioinformática ICB UFMG -
Redação: Gabriel Martins Santos, sob orientação de Marcus Vinicius dos Santos
Luís Maurício Trambaioli mostra como a biologia estrutural permeia o desenvolvimento de biofármacos e biosimilares
O professor da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Luís Maurício Trambaioli da Rocha e Lima, é o convidado do próximo Seminário do Núcleo de Apoio à Pós-gradução do Instituto de Ciências Biológicas. A atividade, marcada para o dia 29 de agosto, às 13h30, no Auditório 4 (Caatinga), traz o tema “Biossimilares: da Biologia Estrutural à equidade em saúde pública”.
Pesquisador do Laboratório de Biotecnologia Farmacêutica (Pbiotech), Luís Maurício Trambaioli apresentará estudos de casos que mostram como a biologia estrutural permeia o desenvolvimento de novos biofármacos e biosimilares, incluindo o caso da asparaginase II de E. coli, usada para tratamento de Leucemia Linfoblastica Aguda. A descontinuação do produto inovador favoreceu a comercialização de produtos de qualidade, segurança e eficácia inferiores, resultando em insegurança em saúde pública nacional e global.
Durante o encontro, presencial, serão discutidas estratégias de cunho local e global visando um panorama regulatório mais sólido que assegure padronização de requerimentos de qualidade de biofármacos globalmente.
Biosimilares compreendem um segmento de medicamento prescrito de grande crescimento no mercado farmacêutico, uma vez que eles representam um avanço na acessibilidade da população a biofármacos de grande eficácia, mas de elevado custo. A atividade ‘in vivo’ e imunogenicidade são aspectos de qualidade fundamentais, que guiam o desenvolvimento e registro de biológicos, tanto novos biomedicamentos quanto biosimilares (não-inferioridade). O planejamento desses biológicos requer ainda, por prática e por força regulatória, a caracterização estrutural desses bioprodutos.
Não há necessidade de inscrição prévia e haverá emissão de certificado aos participantes.